Ajudando o mundo para quem não tem tempo

Todos queremos um mundo melhor e nos esforçamos para isso, tentamos ser boas pessoas, pagar tudo em dia, cuidar da família, comer mais salada. Muitas vezes a rotina, a falta de dinheiro, de tempo ou de criatividade faz com que pareça impossível fazermos algo a mais.

Por isso quisemos trazer pequenas dicas, coisas simples que com certeza você vai poder incluir na sua vida sem esforço, e que já ajudam a fazer a diferença.

1 – Compre embalagens maiores: Você já vai precisar comprar aquele produto, que tal levar para casa a maior embalagem? Se for algo de uso frequente leve uma embalagem grande ao invés de várias pequenas, o que muitas vezes sai até mais barato. Por ex. 500g de manteiga ao invés de dois potes de 250g. O mesmo para shampoo, amaciante, creme hidratante, etc. E, sempre que puder, reutilize as embalagens.

2 – Recuse o recibo do cartão: esse é fácil, né? Além de evitar um lixo desnecessário o papel dos recibos contém Bisfenol, composto relacionado a distúrbios endócrinos, que absorvemos pela pele por contato. Pode parecer pouco, mas se pensarmos nisso ao longo da nossa vida e somar com a quantidade de bisfenol a que estamos expostos diariamente, em todos os plásticos, não é tão pouco assim. Além do mais, ao reciclarmos esses papéis, o Bisfenol acaba indo para outros papéis reciclados!

3 – Use menos quantidade: sabe aquelas imagens de propaganda, de um detergente fazendo muita espuma? Uma pasta de dentes que preenche a escova toda? É exatamente isso, uma propaganda, te induzindo a gastar mais do produto e, consequentemente, precisar comprar mais. Uma quantidade de pasta do tamanho de uma ervilha já é o suficiente para escovar os dentes, e o excesso de detergente só torna o enxágue mais difícil.

Se você ainda não conseguiu fazer a transição para produtos ecológicos ou caseiros, procure usar somente a quantidade mínima necessária, evitando que o produto contamine a água (o fosfato encontrado em muitos detergentes aumenta a produção de algas e provoca a morte de peixes), diminuindo seus gastos, e evitando que você precise ficar comprando mais embalagens.

4 – Filtros de pano: Uma das principais formas de ajudar é simplesmente não comprando. Tudo que não é reutilizável acaba gastando recursos para ser produzido, embalado e transportado, além de ser mais caro para você, que precisa sempre ficar comprando o produto. Troque seu filtro de café de papel por um de pano que vai durar muito tempo e te ajuda a economizar.

5 – Se precisar, compre pente de madeira: na próxima vez que for comprar uma escova de cabelo, procure o pente de madeira. Na hora de descartar ele não vai demorar tanto tempo para se decompor como o plástico, além de ter muitos benefícios para o nosso cabelo: evita o frizz pois não produz eletricidade estática, não afeta o formato dos cachos, não prejudica a saúde da fibra capilar, evita a quebra de fios finos e distribui melhor a oleosidade da raiz pelo comprimento dos fios. O meu cabelo melhorou muito depois que passei a usar o pente de madeira.

Você já faz alguma dessas coisas? Tem alguma dica? Compartilha com a gente para incluirmos na lista e ajudar as outras pessoas a se sentirem mais motivadas de que é possível cada um fazer sua parte , começar a mudar de um jeito simples.

Bahia

Desde que saímos de São Paulo nossa ideia era vir para Serra Grande, na Bahia. 6 meses depois, as sincronicidades nos trouxeram até aqui de maneiras inesperadas.

Encontramos pessoas alinhadas ao nosso propósito e com elas estaremos somando forças para realizar sonhos e objetivos em comum.
Vamos ter contato com biodinâmica, agricultura sintrópica, a oportunidade de viver inseridos em meio à mata atlântica preservada, além de acompanhar de perto toda a produção do melhor chocolate do mundo Cacau Tiuá, “bean to bar”, e morar pertinho da praia.

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Esperamos contribuir e somar muita coisa boa!

1 Mês na Mantiqueira

Entre indas e vindas, desde que saímos de São Paulo em 31/08/2018, passamos aproximadamente um mês na região da Mantiqueira em Minas Gerais. Tem sido muito gratificante a liberdade de poder fazer nossa rotina, de conhecer novas pessoas e aprender sobre inúmeros assuntos. Cada dia é uma nova descoberta.

Ficamos junto com o pessoal da Escola de Permacultura, que nos recebeu com muito carinho. Fomos também muito bem recebidos pelos moradores locais, que abrem suas casas para tomarmos um café e comermos com eles enquanto conversamos como se já fôssemos conhecidos. Além das lições de vida que essas pessoas nos ensinam, ouvimos também muitos “causos” da região, principalmente sobre espíritos e assombrações.

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A principal atividade familiar na área rural é a pecuária leiteira, responsável pela produção dos famosos queijos e doces mineiros.

Apesar de serem deliciosos, o manejo dos pastos e dos animais deixa a desejar do ponto de vista agroecológico na maior parte das propriedades. Pudemos ver de perto alguns indicadores de que a natureza está precisando de ajuda por lá.

Muitas propriedades deixam seus animais com acesso livre, pastejando de forma extensiva sem permitir que o capim repouse e recupere suas reservas de energia para rebrotar. Essa maneira de conduzir a pastagem também colabora com a infestação de parasitas como os carrapatos, que nesse sistema ficam em toda a área, com o hospedeiro à disposição durante todo seu ciclo de vida.

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Outra técnica degenerativa e antiecológica são as queimadas para reforma da pastagem. É indiscutível que após a queima o aporte mineral do solo se eleva, porém, não se coloca nesta equação o dano biológico causado na sua camada superficial. Os microorganismos ali existentes são responsáveis por diversos processos da nutrição vegetal e não há técnica criada pelo homem (implementos, insumos, defensivos) que consiga fazer este trabalho.

Vimos coisas boas também, como a propriedade do Reinaldo, produtor local que segue à risca recomendações técnicas do programa de incentivo ao produtor leiteiro do governo de Minas Gerais. O Reinaldo duplicou sua produção de leite (com as mesmas vacas de antes) só com a introdução do sistema de pastoreio rotacionado, o que melhorou significativamente a qualidade das forrageiras. Ele também nos contou que com o pousio do pasto o gasto com medicamentos para controle de parasitas reduziu drasticamente. É com histórias como a dele que nos inspiramos e vemos que há muito trabalho a ser feito. Se estivermos ao lado da natureza com certeza será bem mais fácil do que se estivermos contra ela.

Relação cupim e pasto

Sabe quando você pega estrada pelo interior e vê aqueles pastos secos cheios de cupinzeiros? São pastagens muito degradadas! Os cupinzeiros aparecem especialmente em pastos que foram queimados, mal manejados e pastejados além da capacidade que a forrageira conseguia alimentar os animais e rebrotar ao mesmo tempo.

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Podemos fazer essa relação porque já descobrimos que o húmus é a “criptonita” dos cupins. Húmus, igualzinho aquele da composteira de lixo orgânico que usamos como biofertilizante em hortas e jardins.

Os solos de regiões tropicais, como a maioria do Brasil, são naturalmente grandes composteiras. Nas florestas (sim, originalmente era quase tudo floresta) as folhas das árvores caem e são decompostas no solo ciclicamente. Quando removemos as árvores para dar lugar ao pasto, principalmente sem cuidado algum com o manejo, desaparece junto toda uma diversidade de animais, vegetais, fungos e micro-organismos responsáveis por essa decomposição frequente na natureza.

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Com a infestação dos cupins, dizemos que o pasto foi atacado por uma “praga”. Ao invés de nos esforçarmos em vencer a batalha, esses insetos deveriam ser vistos como mensageiros  que nos avisam que algo não está sendo feito de acordo com as leis naturais e o esforço deve ser pra corrigir o causador desse distúrbio. Plante algumas árvores, seu sistema todo irá agradecer!

Fonte: Manejo ecológico de pragas e doenças – Ana Primavesi

São Thomé com outros olhos

Estamos em São Thomé das Letras – MG, após uma jornada de vários dias acampando sob o céu gelado da Serra da Mantiqueira. Fomos acolhidos pela Luciene, mãe de uma amiga nossa que mora na cidade e, coincidentemente, precisava de pessoas que pudessem cuidar do seu cachorro (um beagle de 15 anos, velhinho mas cheio de disposição) enquanto ela viaja.

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Eu já havia visitado São Thomé 10 anos atrás, Gui aqui digitando, e agora no retorno preciso confessar que fiquei um pouco incomodado com o que estamos vendo.  A cidade não cresceu muito e ainda mantém aquele clima gostoso de cidade pequena no alto da montanha,  repleta de misticismo e lugares lindos para entrar em contato com a natureza.

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O que pegou mesmo foi o visível estrago que a indústria de mineração está fazendo com os topos de morro no entorno da cidade. São Thomé também é o nome dado a um tipo de pedra, muito usada na construção civil como beirada e deck de piscinas.

Essas áreas que deveriam estar preservadas com vegetação e, consequentemente, todo seu sistema de raízes retendo água nos solos amenizando as enxurradas e erosões, agora se tornaram áreas de extração de pedras que já tomam conta da paisagem. Como agravante, a estrada de onde conseguimos avistar a proporção da devastação é cercada por uma monocultura de café (o que também não é muito legal, mas isso é assunto para outro post).

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Outro susto também veio em um lugar chamado Vale das Borboletas, que em minha lembrança para chegar era preciso andar por uma rápida trilha no meio da mata. Hoje na entrada dessa cachoeira existe um complexo turístico com pousadas, restaurantes e amplo estacionamento, em uma paisagem já completamente modificada pela terraplanagem e desmatamento.

Não sou radicalmente contra o desenvolvimento do turismo e a ocupação humana, mas sim acredito que o caminho é aprendermos a manejar as paisagens de maneira inteligente para que não seja preciso criar áreas de proteção da ação humana. Precisamos criar florestas humanizadas, otimizar os ciclos da água e nutrientes, onde só mexemos um pouquinho na conformação original e introduzimos elementos que nos são úteis, sempre buscando conservar as características estruturais e os processos ecológicos naturais em benefício das comunidades locais. Empreendendo a favor da natureza respeitando seus processos.

 

Primeira parada: Agricultura Regenerativa

 

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Nossa primeira parada foi na Escola de Permacultura em Baependi – MG entre os dias 01 a 11 de Setembro, para aprender mais sobre Agricultura Regenerativa com Eurico Vianna, que é professor de permacultura e trabalha com design regenerativo na Austrália. Foram dias intensos de imersão em cultura e conhecimento. Tivemos a oportunidade de conhecer pessoas de diversos locais como Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe e até do México, todos com o mesmo propósito: tornar o mundo um lugar melhor através da autorresponsabilidade.

A alimentação do curso foi à base de produtos locais, valorizando os produtores e estimulando a consciência de consumo. Dormimos em barracas, e para minimizar o frio intenso, o cair da noite era acompanhado de uma fogueira e muitas risadas e histórias. Pelo fato de não ter internet no local, as conexões foram presentes e muito verdadeiras.

O curso foi divido em três módulos:

  1. Tomada de Decisão Holística para Agricultura Familiar e Empreendedores Socioambientais;
  2. Metodologia de desenho permacultural;
  3. Planejamento de Propriedades Rurais com a Linha Chave e a Escala de Permanência;

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Agora temos que digerir a enxurrada de aprendizado, ler e aprofundar os temas, além de incorporar as lições de vida. Aos poucos vamos compartilhando o que aprendemos! Nas próximas semanas estaremos em São Thomé das Letras – MG para organizar tudo isso.

Fim

Vai pro final do post e dá um play antes de ler 🙂

Todo fim é, acima de tudo, um novo começo de ciclo. Às vezes o ciclo se encerra contra a nossa vontade, e às vezes nós é que percebemos que está na hora de encerrar. Esse foi o nosso caso, e desse novo/fim de ciclo surgiu a Porakaá.

No meio de tantas inspirações, para nós a maior delas sempre foi a natureza. Em nossa busca por entender cada vez mais sobre os animais e as relações deles com os humanos, pudemos nos aprofundar em vários assuntos e obtivemos diversas conquistas pessoais e profissionais. Porém percebemos que atuando de forma restrita, somente em São Paulo e no mercado pet, não seriao suficiente para impactar o meio ambiente e os animais da forma como gostaríamos. Queríamos formar um trabalho em cima de uma vida que nos parecia adequada, e não simplesmente ter uma vida em volta de um trabalho. Foi então que decidimos sair de São Paulo e ir novamente atrás do que nos motiva, unindo nossas paixões e habilidades em um propósito maior.

Iremos passar por diversos lugares para disseminar técnicas de regeneração do ambiente, ensinar e aprender com pessoas que estão dispostas a ter uma qualidade de vida melhor, com mais autoconhecimento e mais integradas à natureza. Se você é uma dessas pessoas, seja bem vindo!