Podemos classificar os comportamentos dos animais em dois tipos: os que eles já são pré programados geneticamente para fazer (instinto/nature), e os hábitos que eles aprendem e adquirem na convivência conosco ou com outros membros da espécie deles (criação/nurture). Quando na criação ele aprende coisas muito distantes do que seria o natural da espécie, é que o que chamamos de “problemas de comportamento” podem aparecer.

Para nós, a maior responsabilidade de quem possui um animal que vive em cativeiro (por cativeiro entendemos qualquer lugar que não seja a vida livre), é dar a ele a melhor qualidade de vida possível; afinal, ele não escolheu estar ali. Defendemos que cada ser vivo possa colocar em prática o maior número de comportamentos naturais da espécie a que pertence.

Cada animal tem seu jeito peculiar de procurar alimento, exercitar-se (corpo e mente), cuidar da toca ou ninho, e interagir (ou não) com outros da mesma espécie. Uma espécie que sofre muito com a forma como é cuidada em cativeiro, é o papagaio. Talvez seja um dos bichos de estimação mais populares, depois do cachorro e do gato. Quem não conhece alguém que tem ou teve um? O que poucos sabem é que eles acabam vivendo metade do tempo que viveriam em vida livre devido aos cuidados errados que recebem. Infelizmente os animais silvestres acabam sendo tratados como pets (antropomorfizados) e suas reais necessidades raramente são atendidas, além da grande maioria ter sido retirada da natureza ou ser proveniente de tráfico.

Na natureza, dependendo da fase da vida, um papagaio vive em casal ou em bandos. São da família dos Psitacídeos, famosos pelo bico torto e muito forte, capaz de quebrar as mais duras sementes e castanhas. São animais muito inteligentes, com alta capacidade de resolução de problemas. O estudo mais famoso sobre a inteligência deles é da pesquisadora Irene Pepperberg e seu papagaio cinzento (Psittacus erithacus) chamado Alex (livro Alex e Eu), que era capaz de entender conceitos como maior e menor, diferenciar objetos pelo formato, cor e material, e utilizar corretamente “por favor” para solicitar alguma coisa e “me desculpe” quando percebia que fez algo que não correspondia exatamente ao que sua treinadora esperava. Esse estudo mostra como menosprezamos a capacidade dos outros seres apenas por considerá-los “inferiores” quanto à evolução.

Para estimular que seu animal viva melhor, tenha mais coisas para se ocupar no dia a dia, receba uma alimentação mais adequada e interativa, conte com a gente! Uma dica fácil para começar é procurar como ele se alimentaria na natureza e tentar reproduzir isso na sua casa. Por exemplo, não descasque as frutas, varie a posição em que você coloca a comida e teste vários alimentos para descobrir qual ele mais gosta.

One thought on “Animais em cativeiro

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