São Thomé com outros olhos

Estamos em São Thomé das Letras – MG, após uma jornada de vários dias acampando sob o céu gelado da Serra da Mantiqueira. Fomos acolhidos pela Luciene, mãe de uma amiga nossa que mora na cidade e, coincidentemente, precisava de pessoas que pudessem cuidar do seu cachorro (um beagle de 15 anos, velhinho mas cheio de disposição) enquanto ela viaja.

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Eu já havia visitado São Thomé 10 anos atrás, Gui aqui digitando, e agora no retorno preciso confessar que fiquei um pouco incomodado com o que estamos vendo.  A cidade não cresceu muito e ainda mantém aquele clima gostoso de cidade pequena no alto da montanha,  repleta de misticismo e lugares lindos para entrar em contato com a natureza.

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O que pegou mesmo foi o visível estrago que a indústria de mineração está fazendo com os topos de morro no entorno da cidade. São Thomé também é o nome dado a um tipo de pedra, muito usada na construção civil como beirada e deck de piscinas.

Essas áreas que deveriam estar preservadas com vegetação e, consequentemente, todo seu sistema de raízes retendo água nos solos amenizando as enxurradas e erosões, agora se tornaram áreas de extração de pedras que já tomam conta da paisagem. Como agravante, a estrada de onde conseguimos avistar a proporção da devastação é cercada por uma monocultura de café (o que também não é muito legal, mas isso é assunto para outro post).

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Outro susto também veio em um lugar chamado Vale das Borboletas, que em minha lembrança para chegar era preciso andar por uma rápida trilha no meio da mata. Hoje na entrada dessa cachoeira existe um complexo turístico com pousadas, restaurantes e amplo estacionamento, em uma paisagem já completamente modificada pela terraplanagem e desmatamento.

Não sou radicalmente contra o desenvolvimento do turismo e a ocupação humana, mas sim acredito que o caminho é aprendermos a manejar as paisagens de maneira inteligente para que não seja preciso criar áreas de proteção da ação humana. Precisamos criar florestas humanizadas, otimizar os ciclos da água e nutrientes, onde só mexemos um pouquinho na conformação original e introduzimos elementos que nos são úteis, sempre buscando conservar as características estruturais e os processos ecológicos naturais em benefício das comunidades locais. Empreendendo a favor da natureza respeitando seus processos.

 

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